Quase tão antigo quanto a sociedade em si, são as figuras de liderança que emergem nela. Desde os teocratas da antiga Suméria até os burocratas confucionistas da Dinastia Song, as lideranças de uma sociedade definem ela. Então, o que define uma boa liderança? Essa é uma pergunta realmente difícil, já que não existe um parâmetro universal. Enquanto líderes com capacidades militares eram essenciais na antiguidade, esse aspecto é menos importante hoje; a última guerra na qual o Brasil se envolveu foi a Segunda Guerra Mundial, e teve um papel limitadíssimo nela, o que garante o papel pouco militarista desse país. Assim, usando o Brasil como parâmetro, definirei aqui, o que, em minha perspectiva, representa uma boa liderança. A principal característica desta, aqui, seria a capacidade de negociar e de resolver conflitos entre os diversos grupos de interesse, porém, sem abandonar seus propósitos iniciais.
Mesmo que seja dificílimo conseguir negociar com os outros e, ainda assim, continuar defendendo seus ideais. Mas, quanto a isso sugiro uma resolução próxima aos ideais de Maquiavel. Como ele sugeria em seu livro, O Príncipe, um líder deve dispor das aptidões da ‘raposa’ e do ‘leão’[1]. Nesse sentido, descartando as metáforas, ele deve dispor da fugacidade, mas também da força, conseguindo, ao mesmo tempo, se impor e negociar. No cenário brasileiro, um líder deveria ser capaz de aprovar um projeto com seus propósitos centrais intactos, contudo, assim, nenhum projeto seria aprovado. É por isso que pequenas concessões e negociações são necessárias para que a política nacional funcione. De fato, o presidencialismo de coalizão brasileiro é um método eficiente quando há negociações entre o líder do poder executivo e sua base aliada no congresso. Isso é, ainda, exacerbado pela alta fidelidade partidária que se vê, o que facilita para o presidente buscar essa base aliada[2]. Assim, o líder, no Brasil, deve saber impor sua vontade como o ‘Leão’, mas, também, negociar como a ‘Raposa’.
Contudo, não basta saber o método para liderar o governo, também deve haver uma moral intrínseca no líder da nação. Baseando-se nos ideais confucionistas, a liderança deve sempre almejar o bem comum, do povo, em que todos tenham direito às qualidades mínimas de vida. Sei que se tratam de países, culturas e civilizações completamente diferentes, mas a China, sob esses ideais, produziu alguns governantes mais sábios e bens sucedidos da história, como o Imperador Taizong da dinastia Tang, a imperatriz Wu Zetian ou o imperador Wu de Han. Assim, creio que seja válido seguir esse precedente externo. Aí o outro pressuposto, o líder deve agir sempre almejando o bem da população, de toda ela, buscando sempre suprir as condições básicas de vida, assegurando o direito à vida, e uma de qualidade.
Portanto, um bom líder deve ser fugaz, mas incisivo, mas sempre usando de sua inteligência para o bem comum. É essencial que ele saiba negociar e ponderar, ceder quando necessário. Porém, ele não pode abandonar o propósito de seu governo, e este é o bem de todos, buscando sempre conceder a todos uma qualidade básica e digna de vida.
[1] MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Hunter Books Editora. Nº 1. 1532.
[2] LIMONGI, F.; FIGUEIREDO, A. Bases Institucionais do Presidencialismo de Coalizão. Lua Nova. São Paulo, nº 44, p. 82-106. 1998.

Comentários
Postar um comentário